[...] Em meio a tantas questões, releio a fábula “O cavaleiro preso na armadura” (FISCHER, 2001). É uma descrição singela, que retrata a situação de um cavaleiro que se depara com questões semelhantes às que me proponho a examinar. São temas que há muito nos ocupam. O drama do herói, com coragem para vencer adversidades e medos, apesar dos perigos, para penetrar em dimensões desconhecidas e adquirir novos conhecimentos, fascina pessoas de todas as culturas e épocas. Em antigos mitos, contos de fadas, na religião, na literatura, nas artes, na história, na ciência, na política, no cinema... Essa criatura que se arrisca no novo, no desconhecido, no extraordinário, é quem desperta o maior interesse. Isso, porque revela/reflete esperanças e anseios da humanidade (MÜLLER, 1997). A figura do herói serve para refletir “a vivência original da nossa impotência e finitude existencial, e nossa esperança de poder superar esse estado quase insuportável” (MÜLLER, 1997, p. 24) [...]
[...] De “armadura ou terno”, se impõem questões: O que nos leva a iniciar as jornadas? O que faz com que nos mantenhamos nelas? O que se pode aprender através delas? O que se pode criar? Quais são nossas metas nessas jornadas? Quais os sentidos dessas jornadas? Para onde estamos indo, onde e como vamos chegar?
Inspirada nesses estudantes-trabalhadores, ‘heróis atuais’, com quem tenho o privilégio de conviver e cujas jornadas são semelhantes às de todos nós, é que convido à reflexão assim como à retomada de questionamentos que tem nos acompanhado e sobre os quais temos trocado em nossos encontros. [...]