por Juremir Machado da Silva
O mundo se move. É sabido. Para frente e para trás. O progresso nunca é linear e garantido. Sempre se pode recuar. Uma colega me falou, num trajeto de ônibus, de uma novidade em muitas escolas. Traficantes de drogas determinam as notas de alguns alunos. Melhor, de algumas alunas. Meninas de 13 ou 14 anos. Namoradas deles. Os professores são avisados de que não devem reprová-las. Mesmo que as gurias tenham péssimo dese
mpenho escolar, devem ser aprovadas. O tráfico parece ser pela progressão de série a qualquer custo. Imaginemos a situação do professor. Deve escolher entre a sua consciência, sua ética, seu compromisso profissional e as ameaças. Evita-se a repetência com a dependência. Numa sociedade em que os prazeres devem ser fáceis, espantar-se com esse tipo de situação pode ser visto como moralismo ou caretice.
Eu me espanto com muita coisa. Por exemplo, com a tolerância dos pais à falta de vontade dos filhos em estudar. Não estudar dá mais trabalho que estudar. É trabalho duro para a vida inteira. Sou contra o autoritarismo. Sou a favor da autoridade. Tudo isso está fora de moda. O adolescente é quem decide. Minha colega me falou também de novidades nas cerimônias de casamento e nos bailes de debutante. É um universo que frequento pouco. Ou nada. As valsas, na linguagem da galera, estão out. A tendência agora são as performances espetaculares tipo (assim é que se fala) programa de televisão. O top é a "Dança dos Famosos". De repente, a noiva começa a rodopiar e a fazer malabarismos impressionantes. Mostra a calcinha, exibe as coxas, monta no pescoço do noivo, aterrissa feito uma praticante de ginástica rítmica diante dos convidados deslumbrados.
Empresas organizam de casamentos a funerais espetaculares. O cerimonial é preciso, sofisticado e caro. Num enterro recente, segundo me contaram, um pequeno avião, em voo rasante, jogava pétalas de rosa sobre os espectadores. Isto é, sobre familiares e amigos do morto. Outro avião surgia puxando uma faixa com o nome do falecido. Ainda bem que nenhum deles carregava a tradicional mensagem "eu já sabia". Até a morte deve ser vista como oportunidade de fazer marketing pessoal, uma derradeira chance de aparecer antes de desaparecer. Um novo e cada vez mais praticado ritual, chamado por alguns de "desritual", é a festa de separação, a comemoração em grande estilo do divórcio, com direito a jogar a aliança ou qualquer outro símbolo da união superada para trás.
A família não para de se transformar. A forma mais moderna é a nova família ampliada: avô, avó, pai, mãe, filho de 42 anos, que ainda não casou nem saiu de casa e busca um estágio para melhorar suas possibilidades de inserção profissional futura, filha divorciada pela terceira vez, com os rebentos de cada etapa ultrapassada, namorados, namoradas, namorado do neto, namorada da neta, "ficantes" e outras categorias ainda não classificadas. Diante dessas modernidades, com imenso impacto social, as revoluções tecnológicas não passam de passatempos fadados ao anacronismo. A vida é a obsolescência programada.
Eu me espanto com muita coisa. Por exemplo, com a tolerância dos pais à falta de vontade dos filhos em estudar. Não estudar dá mais trabalho que estudar. É trabalho duro para a vida inteira. Sou contra o autoritarismo. Sou a favor da autoridade. Tudo isso está fora de moda. O adolescente é quem decide. Minha colega me falou também de novidades nas cerimônias de casamento e nos bailes de debutante. É um universo que frequento pouco. Ou nada. As valsas, na linguagem da galera, estão out. A tendência agora são as performances espetaculares tipo (assim é que se fala) programa de televisão. O top é a "Dança dos Famosos". De repente, a noiva começa a rodopiar e a fazer malabarismos impressionantes. Mostra a calcinha, exibe as coxas, monta no pescoço do noivo, aterrissa feito uma praticante de ginástica rítmica diante dos convidados deslumbrados.
Empresas organizam de casamentos a funerais espetaculares. O cerimonial é preciso, sofisticado e caro. Num enterro recente, segundo me contaram, um pequeno avião, em voo rasante, jogava pétalas de rosa sobre os espectadores. Isto é, sobre familiares e amigos do morto. Outro avião surgia puxando uma faixa com o nome do falecido. Ainda bem que nenhum deles carregava a tradicional mensagem "eu já sabia". Até a morte deve ser vista como oportunidade de fazer marketing pessoal, uma derradeira chance de aparecer antes de desaparecer. Um novo e cada vez mais praticado ritual, chamado por alguns de "desritual", é a festa de separação, a comemoração em grande estilo do divórcio, com direito a jogar a aliança ou qualquer outro símbolo da união superada para trás.
A família não para de se transformar. A forma mais moderna é a nova família ampliada: avô, avó, pai, mãe, filho de 42 anos, que ainda não casou nem saiu de casa e busca um estágio para melhorar suas possibilidades de inserção profissional futura, filha divorciada pela terceira vez, com os rebentos de cada etapa ultrapassada, namorados, namoradas, namorado do neto, namorada da neta, "ficantes" e outras categorias ainda não classificadas. Diante dessas modernidades, com imenso impacto social, as revoluções tecnológicas não passam de passatempos fadados ao anacronismo. A vida é a obsolescência programada.
FONTE: Jornal Correio do Povo, ano 116 Nº 81, 20 DE DEZEMBRO DE 2010.
